O bom dia de cara pálida e obesa
De sensações obscuras que roem
E moem cada canto do meu crânio
Com uma dor invisível e muda.
Proveniente de um silêncio tímido
Que se manterá eternamente encoberto.
Onde tudo se arrasta sobre a visão
Desfazendo as feridas nas peles
Frias, secas e desincrustadas.
Sepultando partículas de silêncio:
Sangue impuro e invisível,
Queratina furtada pelos ventos.
São disparados os primeiros grãos
De medo ditador e inquisidor,
Ordenando a subtis milícias
Para florescer a hostilidade mental,
Arremessando ao corpo as nódoas necessárias
A uma perfeita criatura disfuncional.
Alimenta-se com uma fome incansável
Como se esta corresse organismo
Pingando gotas de suor doente,
E assim se tornava o corpo
Um objecto preso, condenado
À castradora liberdade da fraqueza.
O ditador é eficaz e de mãos ásperas,
Golpeia o intelecto do animal
Com a ténue disfunção nervosa.
Num milissegundo eclode a nova guerra
Onde pensamentos se angustiam e criam
Novos batalhões surgidos da fetidez da tirania.
O importante é resistir às hostilidades,
À violência das vozes e gritos dilacerantes
Que em tempo incerto renascem.
Os líquidos que caiem ao deleite
Do chão frio e negro que fede a podridão
Marcam o confronto sem perda.
De olhos pesados, cansados, mastigados
Liberta-se o distúrbio, vulto no olhar mudo.
A reacção surge e resiste
Amordaçando os severos pensamentos
E reclamando nervos sem tormentos.